Após assistir a brilhante palestra do professor José Carlos Silva, dia 06 de maio, o jornalista José Marques Filho escreveu um artigo à respeito do workshop Estratégias Eleitorais e Modernas Técnicas de Marketing Político. O Instituto de Marketing e Negócios repetirá o evento dia 02 de junho, em Teresina, e dia 03 de junho, em Picos.
Veja o artigo:
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José Marques Filho participou
do workshop dia 06 |
Por José Marques Filho - Jornalista
Valendo-se de ensinamentos como o do grande escritor chinês, Lao Tse, no livro "A arte da Guerra" e inspirado no discurso antológico de Martin Luther King, que se inicia com a célebre frase: I have a dream, ou seja, "Eu tenho um sonho", o professor José Carlos Silva, diretor do Instituto de Marketing e Negócios, de Salvador - Bahia, proferiu palestra no último dia 06, no auditório da APPM - Associação Piauiense de Municípios, em Teresina-Piauí. O debate levantou questões importantes e que vão ser decisivas nas próximas eleições no mês de outubro. Carlos começou anunciando o surgimento de uma nova estratégia eleitoral, dita pelas especialistas quase todo dia, em função dos novos desejos que estão sendo despertados no eleitor por força dos novos mecanismos da tecnologia da informação. Segundo ele, nas próximas eleições será preciso usar tática de guerra. Para isso, é preciso criar verdadeiras tropas de elite com uma equipe treinada, pois a campanha eleitoral, no dizer dele, é feita para encantar o eleitor.
Iniciando a guerra
O Eleitor quer um candidato que possa ajudá-lo a construir o seu próprio sonho. Então, o candidato precisa deixar de ser amador e entender que esta é a eleição da informação. Entram em cena as lições de guerra. É preciso treinar uma tropa de elite que nada mais é que um grupo de apoiadores com poder de fogo. "Cada um tem que ser capaz de trazer pelo menos mais dez pessoas para o grupo a cada dia de campanha", explica Carlos, acrescentando que o candidato tem que saber mobilizar seu grupo com sentimentos de vitória e entusiasmo, de forma a demonstrar que ele está disposto a morrer com o grupo, se for preciso.
Ele esclarece que dinheiro não ganha eleição porque o eleitor quer um líder. Candidato tem que ser corajoso e educado. Tem que ter persistência, determinação e saber administrar bem o tempo dele. Tem que ter segurança e nunca ter dúvida. Tem que ser diferente e buscar criar um fato novo a cada dia. Além do mais, candidato tem que ter cara de candidato e a consciência de que ele não pode mudar a cultura das pessoas, mas interferir positivamente na mudança de hábitos e costumes do eleitor.
O treinamento da tropa
É preciso dividir grupos e segmentar o trabalho de divulgação e de embate eleitoral. Por exemplo, um coordenador faz o trabalho com as mulheres, outro com religiosos, outro com grupos de cultura, etc. É preciso não idealizar o eleitor, ouvi-lo, persuadi-lo ao ponto de criar certa intimidade. Conhecê-lo através de uma pesquisa encomendada e, se não for possível encomendar, devido às dificuldades financeiras ou desconfiança na empresa de pesquisa, é melhor botar a equipe na rua, de casa em casa, perguntando a opinião das pessoas. Este um critério que evita ficar baseado apenas na pura intuição, com risco de interpretações mal feitas.
O discurso - a hora do pesadelo
O melhor instrumento de um candidato é a comunicação. No entanto, o eleitor não quer que o candidato beba com ele até ficar bêbado. Cuidado com a imagem e com a reputação. Saiba ainda que o eleitor não quer candidato continuísta. Mesmo que esteja em processo de reeleição, ou ser candidato indicado por um prefeito, por exemplo, ainda assim, o candidato tem que parecer ser uma novidade.
Carlos apela para a técnica inspirada por Martin Luter King. Segundo ele, o candidato pode começar um discurso com a célebre frase: Eu tenho um sonho!!! O objetivo é envolver o eleitor a acreditar que o sonho do candidato é o sonho dele mesmo. "Eu tenho um sonho para esta cidade", diria o candidato.
É preciso lembrar que o corpo fala. Então, gesticule e nunca coloque a mão no bolso, pois fica parecendo descompromisso. Pior ainda é colocar a mão para trás, pois podem ficar pensando coisas ainda piores. O melhor é colocar as mãos na altura do peito.
Um candidato tem que emocionar a sua platéia. Então, que tal falar das suas boas histórias de vida. O eleitor precisa de entusiasmo, por isso é preciso evitar passar sentimentos enfadonhos. Também tenha muito cuidado com temas polêmicos como aborto, religião, sexo, etc.
Outras táticas de guerra
Em casos de ataque dos adversários, o candidato tem que se defender rápido. É preciso, ainda, ter uma tática de guerra para cada adversário. Faça os cálculos e só vá aos lugares que dêem voto. O candidato tem que saber qual é seu poder de fogo, bem como buscar informações sobre seus opositores. Mas, não bata nos adversários em seus pontos fortes. Faça isso nos pontos fracos.
Como estratégia, mostre-se sempre fraco para os seus adversários, assim ele não vai se armar muito. Mas, mostre-se sempre forte para a sua equipe. Também é importante saber o que é o ponto fraco do adversário. "Certa vez, um candidato descobriu que o ponto franco do seu adversário era perder a "cadelinha" que a mulher tanto gostava. Então, mesmo sendo algo inusitado, ele foi lá e roubou a "cadelinha". Desde então o adversário não conseguia fazer discursos", conta Carlos.
Fotos: Portal APPM |